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Professora de mentira, desabastecimento de mentira: Bolsonaro marca a semana do “primeiro de abril” compartilhando notícias falsas

Por Rogenilson Reis 4 min de leitura

Como se não bastasse a angústia que o novo coronavírus tem gerado na sociedade brasileira, o presidente Jair Bolsonaro decepciona na sua postura inconsequente de defender o fim do isolamento social, contrariando as orientações das autoridades sanitárias do mundo inteiro.

Bem diferente dos líderes mundiais, o presidente brasileiro tem se valido de fake-news para sustentar seu “insustentável” argumento em defesa da abertura do comércio e outros serviços que foram suspensos nos estados e municípios para evitar aglomeração.

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Ontem (2), o chefe de estado publicou em suas redes sociais um vídeo que mostra o pedido de uma mulher, identificando-se como professora, para o fim do isolamento social em meio à pandemia do coronavírus.

Leia também: SAAE combate ligações clandestinas e retoma abastecimento do Park Jatobá e Park Residencial

A “professora” diz estar passando necessidade junto aos filhos por conta do isolamento social, e pede ao presidente para colocar o “Exército na rua” e abrir o comércio.

“É difícil para o senhor porque só tem gente para derrubar. Mas, o senhor tem o povo e eu faço parte dele. Eu tô aqui pedindo: põe o Exército na rua, presidente, abra esse comércio. Sou professora e não estou podendo dar aula”, diz a mulher, diante de um Bolsonaro paciente e estático em sua frente, ouvindo o que lhe convinha.

Pois bem, para fake-news, o remédio é apuração. Foi o que aconteceu e a identidade da mulher foi revelada.

Fátima Montenegro é empresária, dona da empresa Caligrafia ABZ, no Distrito Federal, que ensina caligrafia técnica para adultos e crianças. Bolsonarista de carteirinha, a empresária também participou dos atos do dia 15 de março convocados por Bolsonaro para fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma das fotos, Fátima aparece segurando uma faixa que diz: “Câmara, Senado, STF e a grande imprensa estão contra o Brasil”.A publicação de Bolsonoro foi a segunda fake-news somente nesta semana, que marcou no calendário o “dia da mentira”, primeiro de abril.Na última quarta-feira (1), o presidente usou o Twitter para atacar governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento e publicou um vídeo em que um “trabalhador” relata que estandes da Ceasa de Belo Horizonte, em Minas Gerais, estavam vazios.Outra mentira. A Polícia Civil de Minas Gerais identificou o homem que gravou o vídeo fake. A gravação tinha a intenção de alarmar as pessoas quanto às consequências do isolamento social.Na verdade, o vídeo foi gravado na última terça-feira, por volta das 10h, em uma área do Ceasa onde são comercializadas frutas e verduras. No entanto, os delegados frisaram que as vendas no local começam ainda na madrugada, por volta das 2h30, e que é comum que já estejam praticamente finalizadas no horário gravado.“Nesse local, o comércio começa de madrugada, por volta das 2h30, e vai até 11h, no máximo. Depois disso, fica vazio”, explicou o delegado Luciano Guimarães.Ainda na quarta-feira, em coletiva no Palácio do Planalto, a própria ministra de Bolsonaro, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, desmentiu o registro e reforçou que não há crise de abastecimento.“Hoje nós temos no Brasil o abastecimento em todas as capitais e todas as cidades, não temos nenhuma notícia de que esteja faltando qualquer tipo de alimento nas prateleiras dos supermercados, das vendas. Essa é a missão hoje do Ministério”, disse.A direção da Ceasa, da mesma forma, negou que houvesse escassez de produtos.De acordo com os investigadores, o homem tem 48 anos, que não teve o nome revelado, é autônomo e não tem antecedentes criminais. Ele já foi intimado e deverá prestar esclarecimentos aos delegados até a próxima segunda-feira, por ter gravado o vídeo com mensagens deturpadas.Ele poderá ser indiciado por provocar alarme falso, com o intuito de produzir pânico ou tumulto. De acordo com o artigo 41 da Lei das Contravenções Penais, de 1941, é crime “provocar alarme, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto”. A pena para esse casos é de prisão simples, de 15 a seis meses, ou multa.Após ser desmascarado, o presidente da República apagou a publicação e pediu desculpas pela postagem.Bolsonaro, assim como seus seguidores, são contumazes nesta prática ilícita, de divulgar notícias, vídeos e fotos falsos, o que configura CRIME!*com informações da Revista FórumDa Redação, por Sibelle Fonseca 

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