domingo, 8 de novembro
PublicidadePrefeitura de Juazeiro
PublicidadePrefeitura de Capim Grosso
Regional

Roda de São Gonçalo, tradição que se renova em Orocó – PE

Por Editor Vale Comentar 4 min de leitura

                                                                        *Carlos Laerte

Um dos mais populares ritos do catolicismo rural brasileiro é uma expressão cultural europeia que chegou ao nosso país pelas mãos portuguesas e aqui se misturou com as culturas ameríndia e africana. A Roda de São Gonçalo, que hoje é dançada em Orocó, no sertão pernambucano, por Osmira, Luzia dos Índios, Cizinha, Leni e Lourdes é a mesma que Seu Alfredo do Riacho Seco, do lado baiano do rio, trouxe e encantou um dia a Ilha do Aracapá, lá pelos idos de 1972. Contam, os mais antigos, que foi uma semana inteira de rodas e palmeados ao som de pandeiros, violas e triângulos para pagar promessas e graças alcançadas ao santo português, violeiro, casamenteiro e patrono da fecundidade humana, que inventou uma festa para alegrar e afastar as mulheres da difícil “vida fácil”.

PublicidadeGoverno do Estado da Bahia

Invariavelmente, as rodas começam com os versos, “Ora vi, orai e viva, ora vi, orai e viva, viva São Gonçalo viva”, ao redor de uma mesa farta e sem dar as costas para o altar. Depois, os dançantes se envolvem em ininterruptos volteios e sapateados em ritmo sincopado, ora em forma de círculos ou de cruzeiro, reverenciando o santo e beijando-lhes os pés, até que se cumpram 12 mudanças para cada promessa alcançada. No Nordeste brasileiro, ocorrem dois tipos de rodas.  O São Gonçalo dos Arcos, o mais comum, que é realizado por conta do cumprimento de promessas e onde todos dançam com grandes arcos feitos geralmente de palha de coqueiro, e o São Gonçalo das Almas, que acontece quando alguém morre sem realizar o compromisso com o santo. Geralmente um filho, parente ou pessoa amiga do falecido manda fazer a manifestação coreográfica em nome desta com tudo que tem direito.

Leia também: Últimas vagas: Simpósio sobre doenças hepáticas acontece no IDOMED Juazeiro em 17 de outubro; inscrições estão abertas

Contam também do costume, que as mulheres só dançam a roda se estiverem de saia ou de vestido.  E que as casadas, para participar do folguedo, não podem dormir com seus maridos na noite anterior nem no dia da roda. Seu Alfredo do Riacho Seco passou o bastão para Zebinha, que formou um grupo com as dançadeiras Edite de Jové, Miguel Roberto, Inocência do Nascimento e as Marias Raimunda, Eunice, Luiza, Rosa, Ângela de Sá e Rita da Conceição.

Durante todos os meses do ano, a oralidade conta de “boca a boca” como a roda de São Gonçalo evoluiu de geração para geração em Orocó. A tradição passou aos pés dançadeiros à poética das raízes e a crença inabalável de Luzia Marques, Zefa (mãe de Luzia), Antonia Cágado, Ivone, Maria de Clara, Maria do Carmo, Socorro de Zé Clemente, Galega, Girô (Georgina), Joaquina, Felina, Dominga e Zefa de Joãozinho. Tudo para que essa original manifestação profano-religiosa, seus guias, dançadeiras, tocadores e coro, se perpetue na memória coletiva e se mantenha viva como patrimônio cultural e imaterial do povo sertanejo. Assim como o dito popular que nos lembra ser a  fé, a força que nunca se apaga.

*Carlos Laerte é poeta, jornalista e diretor da Clas Comunicação e Marketing.

Receba as notícias do Vale Comentar no seu WhatsApp Entre no grupo e acompanhe as principais notícias de Juazeiro e região.

Leia também

Comentários

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Comentários passam por moderação.

Compartilhar no WhatsApp

Parceiros e publicidade

PublicidadeDeputado Juvenilson Passos
PublicidadeDeputado Roberto Carlos
PublicidadeDestak Nutri Prime
PublicidadeGoverno do Estado da Bahia
PublicidadeJordávio Ramos
PublicidadePrefeitura de Capim Grosso
PublicidadePrefeitura de Casa Nova
PublicidadePrefeitura de Juazeiro
PublicidadeRádio Vale Comentar FM (próprio)
PublicidadeVale Empregos (próprio)
PublicidadeZé do Sertão