sábado, 7 de novembro
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Segurança vira aposta de ACM Neto para mudar a Bahia; veja propostas

Por Rogenilson Reis 6 min de leitura

ACM Neto (União) propõe uma mudança no modelo de comando da área

Sob o lema “Mudança com Segurança”, o ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União), propõe uma mudança no modelo de comando da área, com participação direta do governador, ampliação do uso de tecnologia e uma estratégia de enfrentamento às organizações criminosas que combina repressão, inteligência e prevenção social.

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O postulante ao Palácio de Ondina coloca a segurança pública no centro de seu plano de governo para uma eventual gestão entre 2027 e 2030. A área também se tornou uma das principais bandeiras de campanha do opositor. O programa de governo foi divulgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A principal aposta do plano é a criação da chamada “Governadoria da Segurança”, uma estrutura que seria comandada pessoalmente pelo governador e funcionaria como uma espécie de sala permanente de situação, operações e inteligência. A proposta prevê reuniões semanais com os principais chefes das forças de segurança e encontros periódicos com os comandos regionais.

A ideia é estabelecer metas públicas para redução de homicídios e outros indicadores de criminalidade, fazendo com que os responsáveis por cada região apresentem resultados diretamente ao governador.

Tecnologia como arma contra o crime

O programa também prevê uma expansão significativa da estrutura tecnológica de segurança. Neto promete ampliar o reconhecimento facial, videomonitoramento, leitura automática de placas e utilização de drones, conectando essas ferramentas a uma rede integrada de inteligência.

A proposta prevê a criação de 27 postos de comando avançado, distribuídos pelos Territórios de Identidade da Bahia, além da integração dos sistemas estaduais com câmeras municipais, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e guardas municipais.

O plano estabelece ainda que o uso dessas tecnologias deverá seguir regras específicas de governança, com mecanismos de controle sobre dados e possibilidade de contestação por parte dos cidadãos.

Facções na mira do sistema prisional

No sistema penitenciário, o discurso é mais duro. O candidato promete instalar bloqueadores de sinais de celular em todas as unidades prisionais nos primeiros 100 dias de governo e ampliar a vigilância contra a entrada de aparelhos, drogas e armas por drones.

Outra proposta é construir unidades de segurança máxima para isolar lideranças de facções, numa tentativa de impedir que criminosos continuem comandando atividades nas ruas mesmo depois de presos.

O plano também prevê maior autonomia para a gestão penitenciária, monitoramento das áreas comuns e fortalecimento da Polícia Penal.

Ao mesmo tempo, a proposta inclui medidas de ressocialização, como ampliação da educação nos presídios, cursos profissionalizantes e trabalho remunerado para pessoas privadas de liberdade.

Ataque ao dinheiro do crime

O programa de Neto também pretende atingir as organizações criminosas pelo patrimônio. A proposta é fortalecer a Deccor, especializada em crimes corporativos e lavagem de dinheiro, para ampliar a identificação, apreensão e leilão de bens ligados às atividades criminosas.

A lógica apresentada pela campanha é simples: retirar das facções os recursos utilizados para comprar armas, financiar operações e ampliar seu domínio territorial.

Polícia valorizada e com melhores condições

A eventual gestão também promete rever carreiras e remuneração dos profissionais de segurança, além de ampliar investimentos em equipamentos, viaturas, armamentos e estrutura física das unidades policiais.

O plano prevê ainda centros de apoio psicológico para os agentes e o Programa Porto Seguro, que ofereceria uma linha de crédito imobiliário subsidiada para profissionais que desejem morar em áreas fora do domínio de organizações criminosas.

Segurança também no interior

A proposta não se restringe a Salvador e à Região Metropolitana. Para o interior, Neto promete criar grupos especializados no combate a crimes rurais, com foco em roubo de gado, máquinas agrícolas, defensivos e conflitos fundiários.

O candidato também propõe o uso de tecnologia para rastreamento de rebanhos e cruzamento de informações fiscais como ferramentas de investigação.

Da repressão à prevenção

Apesar do tom de endurecimento contra o crime organizado, o plano também reserva espaço para políticas sociais. Uma delas é o Programa Geração Trabalho, voltado à inserção profissional de jovens que vivem em áreas consideradas de alta vulnerabilidade.

A proposta parte da avaliação de que o recrutamento pelo crime também é alimentado pela falta de emprego, renda e perspectiva.

O plano prevê ainda o uso dos 31 Centros Sociais Urbanos da Bahia como equipamentos de integração entre segurança, assistência social, educação, esporte, cultura e qualificação profissional.

Mulheres no centro de uma política específica

Outro eixo do programa é o chamado “Pacto pela Vida das Mulheres”. Entre as medidas estão a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, funcionamento 24 horas, criação de uma DEAM Virtual e monitoramento eletrônico de agressores submetidos a medidas protetivas.

O plano prevê ainda auxílio financeiro temporário e qualificação profissional para mulheres vítimas de violência, além de programas de reeducação para agressores determinados pela Justiça.

Uma promessa de mudança no modelo

Ao apresentar a segurança como uma das principais bandeiras de sua candidatura, ACM Neto tenta estabelecer uma diferença de método em relação ao modelo que, segundo sua avaliação, vem sendo utilizado na Bahia.

O plano combina endurecimento contra facções, maior presença policial, inteligência, tecnologia e cobrança por resultados com políticas de prevenção e reinserção social.

Na prática, a proposta apresentada pelo candidato coloca o governador no centro da estratégia de segurança e transforma a redução da criminalidade em uma meta de governo acompanhada diretamente pelo Palácio de Ondina.

Para uma eleição em que a segurança pública aparece entre as principais preocupações dos baianos, Neto aposta em uma mensagem direta: mais comando, mais tecnologia e uma ofensiva permanente contra o crime organizado.

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