sábado, 7 de novembro
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Torcedor é morto em ataque entre torcidas em Salvador

Por Rana Naiade 4 min de leitura

Por Marcos Vitório

O que deveria ser apenas mais um domingo de clássico terminou marcado por violência, correria e morte em Salvador. Horas antes de Vitória e Bahia entrarem em campo, um torcedor tricolor foi brutalmente atacado na região da Avenida 29 de Março, uma das principais vias de acesso ao Barradão. 

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A vítima foi identificada como Alexandre Borges, conhecido como “Nakombi”. Em uma manifestação nas redes sociais, a Torcida Terror Tricolor lamentou a morte do jovem e afirmou que ele era integrante do grupo. A torcida classificou o episódio como uma ação “covarde” e afirmou estar de luto.Segundo informações preliminares obtidas pela reportagem, Alexandre teria sido perseguido por integrantes de uma torcida rival. Relatos apontam que um Tucson prata teria invadido a contramão e atingido o torcedor em um trecho conhecido como Ladeira da 8. Depois, ainda segundo os relatos, ele teria sido cercado e agredido com garrafas e pedaços de madeira até morrer. A dinâmica exata do crime ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades. Imagens que circulam nas redes sociais mostram momentos de intensa confusão na região, com pessoas correndo e disparos sendo registrados.

Outro jovem, identificado como Lucas, também teria morrido durante os episódios de violência. Informações preliminares recebidas pela reportagem apontam que ele teria 16 anos. Até o fechamento, porém, não havia confirmação oficial das circunstâncias e do local exato da segunda morte.

O cenário de violência não terminou com o ataque. Um tiroteio foi registrado nas proximidades do local onde Alexandre foi morto. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram pessoas correndo enquanto disparos são ouvidos. Há relatos de que policiais à paisana teriam intervindo durante a confusão e efetuado disparos.

Também há informações de que uma terceira pessoa teria sido atingida e socorrida para o Hospital Geral do Estado (HGE). O estado de saúde dela não havia sido confirmado oficialmente até o fechamento.

O episódio aconteceu justamente no dia em que a Polícia Militar havia montado uma operação especial para garantir a segurança do Ba-Vi. Pela manhã, a corporação informou que policiais do BEPE, Batalhão de Choque, Esquadrão de Polícia Montada, Esquadrão de Motociclistas Águia e outras unidades seriam empregados no esquema. A expectativa era de aproximadamente 30 mil torcedores no Barradão. Por determinação judicial, a partida foi realizada com torcida única, com presença apenas da torcida do Vitória. A PM também havia anunciado policiamento nas principais vias de acesso ao estádio, escolta das delegações e ações para prevenir conflitos. Mesmo com o aparato anunciado pelas forças de segurança, a violência explodiu antes de a bola rolar.

Nas redes sociais, outra torcida organizada publicou uma mensagem relacionada à morte de um de seus integrantes. O texto contém ameaças explícitas contra grupos rivais e fala em retaliação. A publicação afirma que a organização não deixaria o caso impune e que a “guerra apenas começou”. O conteúdo aumentou o temor de novos confrontos após o episódio. Ao longo do dia, mensagens e vídeos mostraram movimentações de grupos de torcedores em diferentes pontos de Salvador. 

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Houve relatos de presença reforçada da Polícia Militar na entrada da Fazenda Grande do Retiro e de interdição na entrada do Bom Juá, onde também foram registradas aglomerações. A violência deste domingo se soma a outros episódios envolvendo torcedores organizados em Salvador. Em confrontos anteriores, brigas entre grupos rivais já terminaram em agressões, perseguições e prisões.

Agora, a morte de Alexandre Borges coloca novamente em evidência uma pergunta: até onde pode chegar a violência entre torcidas em Salvador?

O futebol, que deveria terminar em festa, virou cenário de perseguição, agressões, tiros e morte. Na Avenida 29 de Março, o clássico sequer havia começado, mas a rivalidade já havia deixado um rastro de sangue.

A reportagem solicitou informações e notas oficiais à Polícia Civil e à Polícia Militar da Bahia sobre as mortes, as circunstâncias dos ataques, a identificação de suspeitos, o tiroteio e a atuação dos policiais durante a ocorrência. Até o fechamento desta matéria, no entanto, as duas corporações não haviam respondido.

As circunstâncias das mortes e a eventual relação dos crimes com as torcidas organizadas ainda deverão ser esclarecidas pelas investigações.

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