Meteorologista explica cenário climático e indica boas perspectivas de chuva para 2026 no Sertão

Durante entrevista à Rural FM, o meteorologista e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco analisou o comportamento do clima no Sertão nordestino, esclareceu dúvidas recorrentes dos ouvintes e apresentou as perspectivas de chuva entre o fim de 2025 e o ano de 2026.

De forma didática, o especialista explicou que as chuvas que vêm ocorrendo neste período são, em grande parte, isoladas, podendo atingir um município e não alcançar outro vizinho. Esse fenômeno é natural nesta fase inicial do período chuvoso e está relacionado à formação de nuvens específicas, que se desenvolvem de maneira localizada.

Segundo o meteorologista, já há sinais claros de instabilidade atmosférica sobre a região, observados pela presença de nuvens do tipo cirrostratos, que indicam mudanças no padrão do tempo. Embora não garantam chuva imediata, essas formações apontam para um ambiente favorável à ocorrência de precipitações nos próximos dias.

O professor destacou que, entre os dias 22 e 24 de dezembro, a probabilidade de chuvas aumenta em Petrolina, no Sertão do Araripe e em áreas do Norte da Bahia e Sul do Piauí. No entanto, reforçou que não se trata de chuvas generalizadas, mas de eventos pontuais, comuns nesta época do ano.

Ao analisar o cenário mais amplo, o meteorologista explicou a influência do fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico. Esse fenômeno, segundo ele, costuma favorecer chuvas dentro da normalidade no Nordeste brasileiro, especialmente quando combinado com boas condições no Oceano Atlântico.

Outro ponto importante abordado foi o papel da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema climático responsável pela maior parte das chuvas no semiárido. De acordo com o professor, a partir da segunda quinzena de janeiro, esse sistema passa a atuar com mais intensidade sobre a região, trazendo um padrão de chuvas mais frequente, que pode se estender até o mês de abril.

O especialista ressaltou que, mais importante do que grandes volumes concentrados em poucos dias, é a boa distribuição das chuvas ao longo do tempo, condição essencial para o sucesso da agricultura de sequeiro, especialmente para culturas como milho e feijão, além da recuperação de açudes e barragens.

Ele também explicou por que cidades como Petrolina e Juazeiro sofrem com alagamentos mesmo em chuvas rápidas. Por serem áreas planas, a água encontra dificuldade para escoar, o que provoca transtornos urbanos, mesmo quando os volumes não são considerados extremos.

Sobre 2026, a avaliação é cautelosamente otimista. Embora ainda não seja possível cravar se será um ano de chuvas acima da média, os indicadores atuais apontam para um inverno dentro da normalidade, com chances reais de um período chuvoso regular, desde que os oceanos mantenham temperaturas favoráveis.

O meteorologista finalizou reforçando que previsões climáticas envolvem múltiplos fatores e podem sofrer alterações, mas garantiu que o cenário atual inspira esperança para o Sertão. Segundo ele, o acompanhamento contínuo dos sistemas atmosféricos será fundamental para ajustes nas previsões ao longo dos próximos meses.

A entrevista trouxe esclarecimentos técnicos, mas em linguagem acessível, reforçando a importância da ciência meteorológica para o planejamento agrícola, a gestão dos recursos hídricos e a convivência com o semiárido.

Post Author: Rogenilson Reis

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