Por Davi Lemos
A repercussão da participação de Jerônimo Rodrigues e ACM Neto na Festa dos Vaqueiros de Curaçá provocou uma troca de farpas entre o deputado estadual Bobô (PCdoB) e o pré-candidato a deputado estadual Igor Dominguez (PL). Enquanto Bobô saiu em defesa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que foi alvo de vaias durante o evento, Igor rebateu as críticas ao grupo de oposição e defendeu o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil).
Ao comentar a presença das principais lideranças na tradicional celebração sertaneja, Bobô afirmou que a festa evidenciou a diferença entre “o vaqueiro do povo e o vaqueiro de ocasião”. Segundo o parlamentar, Jerônimo participou da celebração de forma espontânea, enquanto ACM Neto teria utilizado o evento como palco político.
“Jerônimo surge à vontade, reconhecendo a cultura do sertão por dentro, sem transformar a festa em encenação. Já ACM Neto, cercado por aliados e câmeras, teria usado a celebração como cenário de pré-campanha, buscando vender uma proximidade que, na avaliação do parlamentar, não se conquista por fotografias”, declarou.
O deputado também defendeu que a Festa dos Vaqueiros, patrimônio cultural imaterial da Bahia, não deve ser transformada em instrumento de marketing político. Para ele, “o sertão precisa de compromisso permanente, não de visitas em época de disputa política”.
As declarações foram rebatidas por Igor Dominguez, que atribuiu a reação dos governistas ao episódio das vaias direcionadas ao governador durante a festa. Segundo ele, a recepção ao chefe do Executivo estadual contrastou com a de ACM Neto.
“Talvez Bobô e o grupo do governo estejam de cabeça quente porque viram o que aconteceu em Curaçá. Enquanto ACM Neto foi recebido com muito carinho, apoio e manifestações espontâneas da população, o governador enfrentou uma sonora vaia durante sua participação no evento. Isso demonstra o sentimento de insatisfação que cresce em diversas regiões da Bahia”, afirmou.
Igor também criticou a atuação do governo estadual no semiárido baiano e disse que a identificação com os vaqueiros deve ser demonstrada por meio de ações concretas.
“Se Jerônimo gostasse mesmo dos vaqueiros, estaria cuidando do povo do semiárido. O que o povo precisa não é de fantasia nem de discurso em festa. Precisa de barragens, adutoras, projetos de irrigação e obras que garantam água para as famílias e para os pequenos produtores. O povo não aguenta mais promessa”, declarou.
O pré-candidato ainda afirmou que o semiárido segue enfrentando problemas históricos de abastecimento e cobrou investimentos estruturantes para fortalecer a produção rural. “Quem vive no sertão sabe que faltam obras estruturantes. Falta planejamento para ampliar a oferta de água e fortalecer a produção rural. Quem realmente defende o vaqueiro é quem trabalha para melhorar a vida de quem vive da terra e da criação de animais”, concluiu.




