As canetas para emagrecer se tornaram um dos principais produtos contrabandeados para o Brasil. Em poucos meses, elas passaram a ocupar o segundo lugar entre as apreensões da Receita Federal na Alfândega de Foz do Iguaçu, atrás apenas dos smartphones.
Os policiais encontraram medicamentos escondidos em um carro que havia saído do Paraguai. Entre eles estava a retatrutida, uma substância ainda em fase experimental.
Segundo a Receita Federal, até dois anos atrás os medicamentos sequer figuravam entre as dez maiores apreensões da alfândega de Foz do Iguaçu. Hoje, os chamados medicamentos emagrecedores já ultrapassaram os cigarros e ocupam a segunda posição entre os produtos mais apreendidos na região.
As apreensões mostram diferentes formas de transporte das cargas: escondidas no corpo, em motores, escapamentos, fundos falsos de veículos e até em caminhões-cofre.
Em uma única operação, a PRF apreendeu mais de 30 mil unidades, a maior ocorrência desse tipo já registrada pela corporação.
Entre os produtos apreendidos está a tirzepatida e também a retatrutida, uma molécula que ainda está em fase três de estudos clínicos, a etapa final de testes em humanos. O medicamento ainda não foi lançado pelo laboratório responsável por seu desenvolvimento.
Segundo a Anvisa, nenhuma caneta emagrecedora produzida no Paraguai pode ser vendida no Brasil porque esses produtos não possuem registro no país. A agência afirma que as empresas fabricantes nunca solicitaram autorização para comercialização no Brasil.
A Anvisa explica que o processo de registro exige uma série de estudos para comprovar eficácia, segurança e qualidade dos medicamentos. Como não houve pedido de registro, esses produtos nunca passaram por avaliação da agência.
O Paraguai possui sua própria agência reguladora, a Dinavisa, com regras diferentes para aprovação de medicamentos.
Sem testar esses produtos, a Anvisa afirma que não há garantias sobre sua eficácia, segurança e qualidade. A importação, comercialização ou divulgação de medicamentos sem registro no Brasil é considerada crime.A retatrutida é apontada como uma nova geração de medicamentos para tratamento da obesidade e do diabetes. Ela atua sobre três hormônios relacionados ao metabolismo e ao apetite e ainda está em fase final de estudos clínicos.
Segundo o laboratório responsável pelo desenvolvimento da molécula, qualquer produto vendido atualmente como retatrutida não corresponde ao medicamento que está sendo pesquisado.
A empresa afirma que essas versões são tentativas de copiar a sequência de aminoácidos da molécula, mas isso não significa que sejam equivalentes ao produto em desenvolvimento.
A própria Receita Federal afirma que não é possível saber se os produtos apreendidos realmente contêm a substância anunciada nas embalagens.
Além disso, a Dinavisa publicou um alerta classificando a retatrutida como um “produto não registrado – risco grave”. Segundo o órgão, o produto não possui registro sanitário no Paraguai, não foi aprovado por agências reguladoras internacionais e permanece em fase experimental.
Especialistas afirmam que não existe nenhum grau de segurança para quem utiliza essas versões comercializadas atualmente.




