Por Eduardo Costa
A Polícia Federal obteve emails durante um das fases da “Operação Sem Desconto”, que investiga os descontos indevidos contra milhões de aposentados do INSS, onde existem indicações que o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), dividia uma conta no banco Santander com o advogado Willer Tomaz. A informação é da coluna de Fábio Serapião, do UOL.
De acordo com a reportagem, ambos negam o compartilhamento da conta.
Tomaz foi alvo de busca e apreensão da PF no mês de agosto deste ano. Ele é suspeito de lavar dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado.
O advogado já foi preso no ano de 2017, no inquérito sobre propina paga pela JBS. No entanto, a denúncia foi negada por falta de provas.
No âmbito das investigações sobre as fraudes no INSS, a Polícia Federal acessou documentos armazenados em uma conta do iCloud, serviço de armazenamento em nuvem da Apple, e encontrou e-mails trocados entre o escritório de advocacia de Willer Tomaz e o banco Santander.
Nesse e-mail, estariam sendo tratados sobre uma conta relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tem Willer Tomaz como sócio.
Essa empresa aparece em uma lista da PF sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro.
No dia 22 de maio de 2025, Fayla Zulmira Menezes, funcionária de Willer Tomaz, enviou um email para o Santander pedindo que fossem desassociadas do “usuário master” ligado a uma conta com o nome de Flávio Bolsonaro” .
Em resposta no mesmo dia, o banco confirma que a conta atrelada a Flávio Bolsonaro havia sido excluída.
A situação ocorreu cerca de um mês depois da primeira fase da operação Sem Desconto, que apura desvios de até R$ 6,3 bilhões de milhões de aposentadorias por meio de descontos associativos indevidos.
O Santander informou que mais de um usuário pode acessar uma conta de Pessoa Jurídica (PJ), dividindo esses usuários entre “master”, que pode executar todas as operações da conta, e “secundários”, que só podem fazer funções permitidas pelos usuários master.
A funcionalidade permite que mais de uma pessoa ou empresa possa movimentar valores disponíveis para uma determinada conta.
No email, Fayla faria referência a usuários, entre eles Flávio Bolsonaro, que podiam administrar uma conta PJ ligada à empresa de Willer Tomaz.
No documento, a PF aponta que seria necessário aprofundar a investigação sobre movimentações financeiras do advogado e de suas empresas e, também, a relação com agentes públicos como Flávio Bolsonaro.
Por meio de nota, o candidato ao Palácio do Planalto afirmou que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”. Segundo ele, “toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa”.
Flávio já havia admitido a relação de “amizade legítima” com o advogado.







